Sentado numa sala de espera. Em volta confunde-se o branco e o cinzento de almas abatidas. Mistura-se o stress, o frenético, a doença, a impaciência.
Não há lágrimas, nem sequer sossego. Segundos passam lentamente e tornam-se horas. A loucura nunca mais acaba. O pesadelo não vai embora. Querer acordar de um sonho mau e não conseguir abrir os olhos.
Ninguém sabe ao certo o que se passa. Ninguém quer dizer o que se passa. Este é o momento em que estamos nas mãos de Deus. Este é o tempo em que nem os médicos sabem explicar. Um subtil espaço que separa os milagres da salvação. O antes do desfecho final que decide a morte ou a vida.
Esta espera é horrível. Está a matar por dentro. A sensação de impotência. Acabou aqui o paraíso.
Resta aguardar e ouvir a respiração apertada de quem não sustem fôlego há horas porque não consegue dormir. Não há descanso possível porque a preocupação de humildes seres humanos é vasta, é penetrante, é...inigualável.
Ter um pouco de fé é o que resta, e que a fé traga o ligeiro suspiro de que tudo ficará bem.